Minha Calopsita Até Parece Ser Gente. Por Que?

Minha Calopsita Até Parece Ser Gente. Por Que?

Por Pablo César Pezoa Poblete, Médico Veterinário da ZOOVET CONSULTORIA.

Matéria publicada pela Revista Cães & Cia, edição 437/2015

A presença da Calopsita (Nymphicus hollandicus) nos lares brasileiros é cada vez mais comum. Pode-se dizer que é a ave mais popular por aqui Motivos para tanto sucesso não faltam. Com a vida agitada e as moradias cada vez menores, ganham importância os animais de estimação dóceis, interativos e amorosos, características das Calopsitas vendidas mansas. De pequeno porte, elas se dão bem em pouco espaço e são fáceis de cuidar. Além disso, podem ficar soltas e aprender grande variedade de assobios, algumas palavras e truques diversos. Mas, de onde vêm esses animais? E por que agem como se fossem membros da nossa família?

 

“Você é Calopsita”

Pertencente à ordem dos Psitaciformes e à família Cacatuidae, a Calopsita vem de uma região árida da Austrália. De hábitos nômades, dezenas a centenas de Calopsitas se deslocam em bando à procura de alimento e água perto de riachos e rios. Em boa parte do dia, os integrantes interagem entre eles. Coçam-se, disputam dominância, compartilham alimentos e carinhos entre os familiares. E, ao atingirem a maturidade sexual, por volta de um ano de idade, escolhem um par.

No convívio com os humanos, muitos desses comportamentos são mantidos, ainda que fisicamente as espécies sejam de pouca semelhança. Para ficarem mansas, as Calopsitas são retiradas do ninho em tenra idade e criadas artificialmente por um tratador, o qual reconhecem como sendo da própria espécie, processo chamado de imprinting. E, quando crescem, acham que as demais pessoas também são Calopsitas. Ou seja, elas não pensam que são “gente”, mas, sim, que as pessoas são Calopsitas. Esse processo ocorre também com outras aves, como araras, papagaios e patos.

 

Família reunida

As relações familiares das Calopsitas seguem regras semelhantes às das famílias humanas. Assim como sentimos afinidades diferentes por nossos pais, irmãos, primos e tios, o mesmo acontece com as Calopsitas. No início, elas até se dão bem com todos da casa, mas ao atingirem a maturidade sexual elegem um membro da família para ser o parceiro delas. A partir daí, destinam todos os olhares ao eleito. Quando ele não está, os demais membros da família até são aceitos, mas basta que o “parceiro” mexa com a chave na porta para a Calopsita piar, chamar, se agitar e ter somente olhos para a pessoa preferida.

Dos psitacídeos mantidos em cativeiro, a Calopsita é o que tem ligação menos forte com o parceiro escolhido. Esse traço favorece uma relação melhor com todos da família do que a das aves fortemente ligadas ao humano predileto, caso de Papagaios, Araras e Maritacas.

 

“Preciso de atenção!”

Como ave de bando, a Calopsita necessita da companhia de outros membros da espécie ou da família humana (seu bando), principalmente com o parceiro. É dele a maior responsabilidade de lhe dar atenção.

Deixar a Calopsita de lado pode causar algumas patologias comportamentais. É o caso da síndrome do arrancamento de pena, quando a ave se depena por transtorno obsessivo compulsivo, principalmente no peito, no dorso da asa e na base da cauda (ver mais na Cães & Cia, edição 426). Outro possível problema é a automutilação com feridas e até mesmo amputação de dedos, fato muitas vezes atribuído erroneamente à ingestão de carne pelas crenças populares. Mais comuns em psitacídeos de outras espécies, esses transtornos podem também ocorrer em Calopsitas. Quando acontecem, é importante procurar a ajuda de médico-veterinário especializado em aves.

 

Dicas de prevenção

Uma maneira de evitar os transtornos citados é o enriquecimento ambiental. Deixar a gaiola em local movimentado, como perto da cozinha, por onde sempre passa alguém, reduz a monotonia e cria oportunidades de interações para a Calopsita. Outra iniciativa é, ao deixar a Calopsita sozinha, abastecer a gaiola com brinquedos próprios ou improvisados para ocupar a mente dela até a solidão acabar. Prendedores de roupa de madeira e plástico, papelão e galhos de madeira, entre outros objetos, costumam proporcionar boa ocupação. Entregá-los logo antes de sair e deixá-los com a ave somente durante o período em que ela fica sozinha, diminui a possibilidade do “stress de abandono”. os tornam mais motivadores

 

Sono profundo

A Calopsita precisa dormir de 10 a 12 horas por dia. Para tanto, deverá ficar na gaiola em local tranquilo, com pouco acesso de pessoas e baixa luminosidade. Cubra a gaiola com uma toalha ou colcha e oriente todos para que deixem a ave em paz.

Submeter o membro alado da família a um checape geral anual é uma boa maneira de se certificar da boa saúde dele e de saber se os cuidados que está recebendo podem continuar os mesmos. Para essa avaliação, procure um veterinário especializado em aves.

 


Pablo César Pezoa Poblete é médico-veterinário com mestrado em aves e especialista em animais não convencionais da Zoovet Consultoria, de Belo Horizonte. Contatos: info@zoovetconsultoria.com.br e www.zoovetconsultoria.com.br

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Agradecemos a Karynne Honorato (@livingwithbirds) por ter cedido gentilmente as fotos da matéria!

Palavras chaves: criação calopsitas, comportamento calopsitas, veterinário aves calopsitas BH, Belo Horizonte.

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