Criação de Cervideos Exóticos

Os cervídeos (ou veados) atraem a atenção onde quer que estejam pelo porte imponente e a graça com que se movimentam. Na Europa, Estados Unidos, Nova Zelândia e Austrália espécies como o Cervo Dama (Dama dama), Cervo Nobre (Cervus elaphus) e o Cervo Sambar (Cervus unicolor) são criados principalmente para fins de caça esportiva. Já no Brasil estes animais são muito procurados para ornamentação de fazendas, sítios, resorts e parques. Para iniciar uma criação de cervídeos é importante observar alguns cuidados que garantem a saúde dos animais e o bom funcionamento do criatório. Os cervídeos são animais territorialistas, ariscos e susceptíveis a estresse. Quando se sentem acuados seu instinto é sempre fugir, muitas vezes empreendendo corridas a altas velocidades. Em situações assim não é raro estes animais se ferirem gravemente em choques contra obstáculos dentro dos recintos. Um projeto cuidadoso das instalações do criatório, feito por profissional capacitado, facilita o dia-a-dia de trato e alimentação, diminui os riscos de transmissão de doenças e melhora o bem estar e a saúde dos animais. O recinto de manutenção de cervídeos deve ser projetado com tamanho compatível com a espécie e o número de animais que se deseja criar.

Suas cercas em tela devem ser projetadas de forma a evitar choque e ferimentos durante o manejo, sendo cercas vivas plantadas rente à metálica uma boa opção. Os recintos devem sempre contar com um brete de manejo, local onde normalmente os animais são alimentados e onde são realizados procedimentos como embarque de animais para venda, vermifugação e tratamentos veterinários. Devem ser observados detalhes como material do piso, forma e tamanho de cochos, corredores, seringas de contenção e embarcadores. Assim, prevenimos problemas futuros, como desgaste patológico dos cascos, laminite, fratura de chifres e membros, entre outros. A ambientação do recinto também é importante, tanto em termos do paisagismo do criatório como para o bem-estar dos animais. Arvores podem ser plantadas tanto para gerar sombra onde os animais se abrigam nas horas mais quentes do dia quanto para embelezamento do criatório. Já moitas e arbustos devem ser utilizadas com ressalvas, principalmente se o intuito da criação é a visitação já que os animais podem usá-las como refúgio escondendo-se durante praticamente todo o dia. Algumas espécies são bastante sensíveis ao calor, nestes casos lagos rasos são uma opção para embelezar o ambiente e refrescar os animais.

Os cervídeos são animais de reprodução sazonal. Nos países de clima temperado a estação reprodutiva começa no inicio do outono, a medida que os dias vão ficando mais curtos. Estas espécies, no Brasil, reproduzem-se ao longo de todo o ano, mas com concentração de cruzamentos também no outono. A gestação dura cerca de seis meses e meio, de forma que os filhotes nascem durante a primavera, época de maior disponibilidade de alimento. Na maioria das espécies nascem dois filhotes por parto, mas existem registros de até 4. Os cervídeos jovens entram na puberdade a partir dos 16 meses e já estão aptos à reprodução no segundo ano após o nascimento, na maior parte das espécies.

Para quem está começando uma criação muitas vezes existe a dúvida a respeito da aquisição de matrizes adultas ou ainda filhotes. Estes últimos são mais frágeis, porém
se o objetivo é ter um “maior contato” com os animais, este deve ocorrer desde os primeiros meses de vida, quando ocorre o “imprinting” (fixação no cérebro do animal que os humanos são da mesma espécie). Contudo, muito cuidado deve ser tomado com estes depois de adultos, principalmente com os machos de algumas espécies na época reprodutiva, pois podem provocar graves acidentes com pessoas ao disputar com eles o cortejo das fêmeas.

Quando recebemos animais já adultos, especialmente se vierem de criatórios distintos, estes podem ter problemas para acostumar-se uns aos outros quando agrupados. A recepção no criatório e integração de um cervídeo adulto a um bando já estabelecido deve ser cuidadosamente acompanhado, garantindo que o animal tenha sempre onde se refugiar no caso de confrontos.

A alimentação é outro fator que deve ser cuidado na implantação de um criatório de cervídeos. Estes animais são herbívoros ruminantes e sua alimentação em cativeiro, deve na medida do possível, mimetizar a alimentação em vida livre. A maioria das espécies adapta-se bem a uma dieta a base de gramíneas ou feno e ração, com suplementação de sal mineral enriquecido. Especial atenção deve ser prestada aos níveis de proteína e fibra na dieta, bem como à quantidade de alimento consumido por cada animal diariamente. Muitas vezes a diminuição da ingestão de alimento é um dos únicos sinais indicativos de que o animal encontra-se doente, já que, pelo fato dos ruminantes enfermos serem o alvo de felinos e canídeos em vida livre, eles tentam “disfarçar” sua real necessidade de auxílio.

Todo manejo deve ser sempre realizado por equipe treinada e nunca a captura deve ser executada de forma estressante, devendo a contenção ser realizada preferencialmente com a utilização rifle de dardos anestésicos ou zarabatana, já que estes animais são suscetíveis a necroses musculares severas comumente levando o animal a óbito.

Palavras Chaves: criação comercial de cervídeos, criação comercial de veados, veterinário de cervídeos, veados, instalações cervídeos veados, alimentaçao veados cervídeos.

Por,
Rebeca Marques Mascarenhas, Médica Veterinária, PhD.*
Pablo César Pezoa Poblete, Médico Veterinário, MSc.*
Texto publicado na revista Mercado Rural, edição de outubro/12

1 Comentário
  1. Olá, gostei muito do seu artigo, aguardo mais novidades. Para mim, que estou começando agora, suas dicas foram muito importantes.

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