COLETA DE MATERIAL BIOLÓGICO EM RÉPTEIS

Coleta de Material Biológico em Répteis

Artigo publicado na revista Vetscience Magazine, edição 06,2015

Natália dos Santos Ricardo, Estudante de Veterinária, Estagiária.

Pablo César Pezoa Poblete, Médico Veterinário, MSc.

1.       INTRODUÇÃO

A classe Reptilia é formada por aproximadamente 2.900 espécies e inclui quatro ordens: Ordem Squamata – Subordem Sauria (lagartos, iguanas, teiú); Ordem Squamata – Subordem Ophidia, tais como: Sucuri, Cascavél, Jibóia; Classe Chelonia, que compreende as Tartarugas, Cágados e os Jabutis, além da Ordem Crocodylia que compreende os crocodilos e os jacarés.  Espalhados por quase todo o planeta, vivem, principalmente, em regiões tropicais e subtropicais.   A criação destes animais vem crescendo substancialmente nas últimas décadas, seja para recuperação de espécies ameaçadas de extinção, ou para utilização destes animais como “pets”. Essa última modalidade de criação está trazendo esses animais cada vez mais para a clínica, onde a necessidade de informações sobre alterações fisiológicas e patológicas são crescentes. Sendo assim, o estudo da hematologia torna-se fundamental, uma vez que, essa classe possui tendência a disfarçar a sintomatologia leve e moderada, fazendo com que os sinais e sintomas tornem-se inespecíficos.  Os répteis não demonstram sintomas com facilidades e por motivos óbvios, pois se demonstrarem isso na natureza serão predados mais facilmente. A realização de exames laboratoriais é considerada uma importante ferramenta para observação de respostas dos animais a doenças e tratamentos. Para que os resultados dos exames sejam precisos, as amostras biológicas devem ser corretamente coletadas e preservadas. Cada espécie possui particularidades anatômicas e fisiológicas que devem ser consideradas durante o procedimento.

2.       COLETA E CONSERVAÇÃO DE AMOSTRAS PARA EXAMES HEMATOLÓGICOS

Para esse procedimento é necessário definir os meios de coleta e preservação mais adequados para cada tipo de amostra e também os vasos sangüíneos de eleição para a obtenção de amostras viáveis. É importante saber quais vasos poderão fornecer a quantidade de sangue necessária com o mínimo transtorno para o paciente, uma vez que são bastante sensíveis ao estresse, que poderá alterar os resultados das análises, além de piorar o estado clínico.  O método de coleta de amostras será determinado pelo tamanho do animal e pelo volume de sangue requerido para o teste em particular. Geralmente podemos tirar com segurança o equivalente a 1% do peso do animal em sangue (entre 0,5% e 0,8% em um réptil). A coleta de sangue da Ordem Squamata – Subordem Sauria (como a iguana) pode ser realizada de diversas maneiras: por cardiocentese , diretamente sobre o ventrículo;  por venopunção da jugular, veia caudal ventral, veias caudais laterais, veias braquiais e poplíteas e através do corte da unha e plexo axilar. O autor considera que o plexo axilar, a caudal ventral e a jugular são os locais de mais fácil acesso. Já a coleta da Subordem Ophidia, tais como: Sucuri, Cascavél, Jibóia, dentre outros é realizada por meio de punção das veias coccígea caudal e palatina, além da cardiocentese, sendo esta última mais indicada para serpentes menores de 1m. Na Classe Chelonia, que compreende as tartarugas, Cágados e os Jabutis a escolha do vaso sanguíneo para a coleta de sangue depende do tamanho do paciente, volume da amostra e estado clínico do paciente. No geral, consideramos a jugular a de mais fácil acesso, porém seu acesso só é possível com o animal sob sedação moderada ou apatia severa, já que estes animais, tem como defesa a retração da cabeça e pescoço em seu casco. Outra opção é da veia caudal dorsal principalmente em jabutis, mas a dificuldade é maior quanto menor for o animal.

Já na ordem Crocodylia que compreende os jacarés, a coleta de sangue pode ser realizada na veia supraorbital caudal (preferencialmente),por cardiocentese e da veia coccígena ventral.

3.       IDENTIFICAÇÃO DO MATERIAL BIOLÓGICO

Ao enviar o material, sempre identifique as amostras de forma clara e única, com etiquetas ou canetas de difícil remoção. Na etiqueta devem constar informações suficientes que identifiquem o material em questão e o tipo de exame solicitado.

Na etiqueta também deve constar a identificação sistemática do indivíduo (Filo, Classe, Ordem, Família, Gênero, Espécie, além do nome regional).

 

4.CONSERVAÇÃO

O Ácido etileno diamino tetracético (EDTA) costuma ser usado para o hemograma de várias espécies domésticas, porém há uma incompatibilidade desse EDTA para coleta de sangue de répteis e quelônios, causando hemólise da amostra. A heparina tem sido bastante utilizada, em répteis, visando prevenir essa hemólise. O sangue heparinizado pode ser usado, também, para determinações bioquímicas. Assim a heparina tem se mostrado bastante útil na obtenção de sangue para a realização de hemograma e testes bioquímicos, mas é importante lembrar que os esfregaços sangüíneos deverão ser realizados em amostras sanguíneas que não tenham tido contato com este anticoagulante. O tubo ideal para armazenamento de sangue de répteis é o de tampa verde. Este tubo contém Heparina, o sangue colhido com anticoagulante deve ser cuidadosamente homogeneizado por inversão de 8 a 10 vezes para evitar hemólise e a coagulação do sangue.

 

5. AMOSTRAS PARA EXAMES PARASITOLÓGICOS

A análise das fezes podem sempre oferecer informações importantes sobre a condições parasitárias dos répteis. Animais oriundos de Centros de Triagens, criatórios ou mantidos em terrários podem apresentar parasitas internos de importância clínica, inclusive zoonoses como alguns protozoários. A dificuldade é que, dependendo da espécie, nem sempre o material está disponível. Serpentes, por exemplo podem defecar em intervalos superiores a 1 semana, devendo o veterinário entrar em acordo com o proprietário sobre a coleta da amostra. Assim, o proprietário deve receber do veterinário um frasco com conservante (MIF-fornecido pelo TECSA) e recolher, se possível, pelo menos cinco gramas de fezes frescas.  Se preferir, o proprietário poderá coletar as amostras em frasco próprio seco e manter a amostra refrigerada entre 2ºC a 8ºC até o momento da coleta pelo laboratório, não podendo exceder 12 horas.

 

6. AMOSTRAS PARA MICROBIOLOGIA

São comuns infecções em répteis por bactérias multi-resistentes, normalmente Gram negativas. Visto que o tratamento normalmente é prolongado, é sempre aconselhável a realização de uma cultura com antibiograma para identificação da bactéria patogênica e indicação do melhor antibiótico para o caso. No caso de infecções secas, pode-se umedecer o swab com solução fisiológica estéril, facilitando o desprendimento das bactérias do local de infecção.  As amostras de secreções devem ser inoculadas imediatamente em meio de Stuart.

 

7. CITOLOGIA/BIÓPSIAS

Amostras de líquidos corporais devem ser coletadas em frascos estéreis e enviadas in natura, o mais rápido possível. A superfície de lesões cutâneas purulentas e abscessos e a região ao redor das mesmas devem ser descontaminadas com solução anti-séptica antes da coleta.

8. PESQUISA DIRETA – PCR

Exames de pesquisa direta, como a Reação da Cadeia em Polimerase (PCR) tem-se tornado um recurso de grande valia na última década. O exame permite a pesquisa direta do DNA ou RNA de um vírus, bactéria ou fungo, sendo portanto um resultado positivo praticamente sempre confiável. Diversos exames por esta técnica já foram catalogados para animais silvestres e répteis, tais como clamídia, salmonela, amebíases, entre outros. Uma vantagem para este tipo de exame é a diversidade de material que pode ser coletado, já que qualquer fragmento do DNA/RNA do vírus ou bactéria presente em qualquer secreção, líquido ou tecido do animal pode ser pesquisado, incluso fezes, secreções oculares ou sangue. Assim, um suabe pode ser utilizado para coleta e colocado em meio específico de conservação, fornecido pelo laboratório, e enviado o mais breve possível. O resultado demora aproximadamente 15 dias.

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